Você sabia que a taxa de sucesso na multiplicação de enxames sem ferrão pode superar 90% quando aplicamos as técnicas corretas de manejo? Compreender o comportamento biológico dessas espécies nativas é o primeiro passo para expandir seu meliponário de forma sustentável e segura.
Neste artigo, você vai aprender detalhadamente como fazer divisão de colônia de abelha mandaçaia utilizando métodos consagrados na meliponicultura, garantindo que suas novas famílias cresçam fortes, saudáveis e totalmente protegidas contra os principais predadores da atividade.
O momento ideal para multiplicar suas colmeias
Realizar a divisão no período correto é o fator que mais influencia a sobrevivência das novas famílias. Em nossos testes e observações de campo na Central Apícola, constatamos que realizar esse manejo em épocas frias ou de escassez de recursos quase sempre resulta no declínio severo do enxame.
O indicador climático mais importante é a temperatura constante. Evite fazer divisões em dias com temperaturas abaixo de 20 graus Celsius. O frio excessivo dificulta a termorregulação dos discos de cria expostos e reduz a atividade de voo das campeiras, que são fundamentais para abastecer a nova colmeia.
Além da temperatura, a presença de uma grande florada na região garante a entrada constante de néctar e pólen. Essa abundância de recursos naturais estimula a postura da rainha e acelera a recuperação física das duas colônias após o procedimento de manejo.
Por fim, a saúde da colmeia-mãe deve ser impecável. Ela precisa apresentar uma população abundante de abelhas, boa reserva de alimento e muitos discos maduros de cria. Fazer a divisão de colônia de abelha mandaçaia em enxames fracos ou doentes compromete a sobrevivência de ambas as caixas.
Equipamentos necessários para o manejo seguro

Antes de abrir qualquer colmeia, o meliponicultor precisa organizar todos os materiais de trabalho. A organização prévia do espaço diminui o tempo de exposição dos discos de cria ao vento e à luz direta, minimizando o estresse térmico das abelhas.
Em nossa rotina de trabalho na meliponicultura prática, padronizamos o uso de itens específicos que garantem a segurança do enxame e facilitam a execução rápida de cada etapa da divisão.
Recomendamos que você reúna os seguintes materiais essenciais para este procedimento:
- Caixa padrão INPA: Modelo ideal de habitação que respeita as medidas da caixa INPA adequadas para a espécie.
- Fita crepe: Utilizada para realizar a vedação completa de todas as frestas da nova colmeia contra predadores.
- Espátula de apicultor: Ferramenta metálica indispensável para descolar módulos e destacar as estruturas internas com precisão.
- Cera mista: Composta por cera de abelhas sem ferrão e cera de apis, usada para moldar apoios e facilitar o trabalho inicial.
- Alimentador artificial: Dispositivo interno que permite fornecer xarope de manutenção sem que ocorra vazamento no ninho.
Como fazer divisão de colônia de abelha mandaçaia
O conceito básico da multiplicação de enxames de mandaçaia consiste em dividir os recursos de uma colônia forte para dar origem a uma nova unidade autónoma. O método mais seguro e utilizado por criadores em todo o país é a divisão de mandaçaia por discos, que consiste no fracionamento dos discos de cria da caixa original.
Nesse processo, trabalhamos com dois conceitos fundamentais: a colônia doadora, também chamada de matriz, e a colônia receptora, conhecida como filha. A dinâmica entre matriz e filha mandaçaia exige equilíbrio na distribuição de crias e campeiras para que nenhuma das duas caixas sofra com o despovoamento.
Diferente de outras espécies, a mandaçaia possui uma facilidade biológica para a produção de novas rainhas a partir de células de cria comuns, dispensando a necessidade obrigatória de encontrar uma realeira de mandaçaia durante o manejo, embora a presença dela acelere bastante o processo de consolidação da nova caixa.
“A manipulação dos discos de cria exige extrema delicadeza. Um único movimento brusco com a espátula pode esmagar dezenas de pupas e romper a estrutura de sustentação que mantém o fluxo de ar entre as células de postura.” — A. Nogueira, Meliponicultor e Pesquisador de Abelhas Nativas
Entender a anatomia do ninho e a localização exata das células de postura facilita o processo de como fazer divisão de colônia de abelha mandaçaia. O planejamento visual antes da abertura da colmeia reduz drasticamente o tempo de exposição das estruturas internas ao ambiente externo.
Passo a passo para retirar os discos de cria
O manuseio direto dos discos de cria é a etapa mais delicada de todo o processo de multiplicação. É neste momento que a calma e a precisão do meliponicultor são colocadas à prova para garantir que as futuras abelhas não sofram danos mecânicos durante a transferência.
Para obter sucesso na retirada dos discos, siga rigorosamente esta sequência de ações que desenvolvemos para minimizar as perdas de crias:
- Abertura da matriz: Remova cuidadosamente a tampa da colmeia-mãe utilizando a espátula para descolar o própolis que veda os módulos.
- Identificação das crias: Localize os discos maduros de cria, que apresentam coloração amarelada ou esbranquiçada, indicando que as abelhas estão prestes a nascer.
- Separação física: Introduza a espátula por baixo do disco maduro selecionado, cortando os pilares de cera que o sustentam na estrutura.
- Retirada manual: Retire com muito cuidado de dois a três discos maduros, apoiando sempre a base para evitar que eles se dobrem ou quebrem.
- Proteção dos discos: Posicione temporariamente os discos retirados sobre uma superfície limpa e protegida do sol enquanto prepara o novo alojamento.
Montagem da nova caixa e transferência de campeiras
Com os discos maduros devidamente retirados da colônia-mãe, inicia-se a montagem da nova colmeia. No fundo do ninho da caixa-filha, posicione pequenos pilares feitos com cera mista purificada. Esses pilares servem para apoiar os discos de cria, mantendo-os elevados e permitindo a livre circulação das abelhas por baixo da estrutura.
Coloque os discos maduros sobre esses pilares de cera, garantindo que fiquem na mesma posição vertical em que estavam na caixa original. Nunca vire os discos de cabeça para baixo, pois isso pode provocar o afogamento das larvas no alimento larval líquido contido no fundo das células.
Para garantir a população inicial de operárias na nova colmeia, realizamos uma transferência estratégica de campeiras. O método consiste em colocar a caixa-filha exatamente no local onde antes ficava a caixa-mãe. As campeiras que estão retornando da coleta de néctar e pólen entrarão na nova caixa, adotando-a como lar imediato.
A colônia-mãe, contendo a rainha fisogástrica, os discos de cria novos (escuros) e as abelhas jovens que não voam, deve ser deslocada para uma nova posição no meliponário, preferencialmente a mais de dez metros de distância do local original para evitar que suas campeiras retornem a ela.
Alimentação de suporte e fechamento da colmeia
A colônia recém-dividida passa por um período inicial de desorganização estrutural. Como não há potes de alimento prontos na nova caixa, é fundamental fornecer suporte energético artificial imediatamente após a transferência para garantir a sobrevivência das abelhas.
Prepare um xarope energético simples utilizando água e açúcar cristal na proporção de um para um. Esse xarope deve ser colocado dentro de um alimentador interno próprio para abelhas sem ferrão, reduzindo a necessidade de as operárias saírem para buscar alimento nos primeiros dias.
Para evitar problemas com predadores durante a alimentação, consulte o guia de como alimentar abelha mandaçaia com xarope de forma segura e limpa. O vazamento de xarope dentro ou fora da colmeia é o principal atrativo para pragas oportunistas.
Após abastecer o alimentador, feche a colmeia e aplique fita crepe em todas as junções de módulos e frestas externas da madeira. O odor de cera exposta e alimento atrai forídeos de forma extremamente rápida. A vedação hermética impede a entrada desses pequenos insetos parasitas que podem destruir o enxame em poucos dias.
Cuidados e monitoramento nos primeiros trinta dias
O sucesso definitivo no processo de como fazer divisão de colônia de abelha mandaçaia depende do acompanhamento sistemático nas semanas seguintes ao manejo. O meliponicultor deve observar o comportamento da colmeia de forma discreta, evitando aberturas desnecessárias que resfriem o ninho.
Criamos um cronograma prático de inspeção visual para guiar suas observações ao longo do primeiro mês após a realização da divisão:
| Período | Foco da Observação | Ação Necessária |
|---|---|---|
| Semana 1 | Presença de forídeos e consumo de xarope | Abastecer alimentador e vistoriar fita crepe |
| Semana 2 | Construção de potes de cera e organização | Verificar se há postura de rainha virgem |
| Semana 4 | Postura ativa da nova rainha | Confirmar presença de ovos novos e larvas |
Caso observe a presença de larvas de forídeos ou ausência total de atividade de voo na entrada da caixa-filha após a segunda semana, faça uma intervenção rápida fornecendo discos maduros adicionais de outra colônia forte ou unindo o enxame fraco de volta à sua matriz para evitar a perda total do material biológico.
Multiplicação planejada para o sucesso do meliponário
A multiplicação de enxames por meio da divisão estruturada de colônias é o caminho mais eficiente para expandir sua produção de mel e própolis de forma ética. Ao dominar os indicadores biológicos e respeitar o tempo de desenvolvimento das abelhas, você garante a perpetuidade dessas incríveis polinizadoras nativas.
Se você deseja continuar aprimorando suas técnicas de manejo prático e atração de espécies nativas, não deixe de ler nosso artigo exclusivo sobre como atrair abelha jataí para caixa isca para expandir ainda mais a diversidade biológica do seu meliponário.



